segunda-feira, 13 de julho de 2026
Economia

Tarifas dos EUA podem atingir 4,1 mil produtos brasileiros e US$ 14,9 bilhões em exportações

Vitória News 07/07/2026 11:04

CNI estima sobretaxa acumulada de até 37,5%; maioria dos itens potencialmente afetados é usada como insumo pela indústria

Novas tarifas avaliadas pelo governo dos Estados Unidos podem atingir 4.187 produtos brasileiros, responsáveis por US$ 14,9 bilhões em exportações. A estimativa foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente, esses produtos estão submetidos a uma tarifa adicional de 10%, adotada com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana e prevista para permanecer em vigor até 24 de julho.

Duas propostas em análise podem ampliar a tributação sobre mercadorias brasileiras. Uma delas está relacionada à investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 e prevê uma tarifa adicional de 25%. A outra decorre de uma apuração sobre trabalho forçado em diferentes países e propõe uma sobretaxa de 12,5%.

Nos casos em que as duas medidas incidirem simultaneamente, a cobrança acumulada poderá chegar a 37,5%, aumento de 27,5 pontos percentuais em comparação com a tarifa adicional atualmente aplicada.

Segundo a CNI, 62% dos produtos potencialmente atingidos são bens intermediários, utilizados como matérias-primas, componentes ou insumos em cadeias produtivas. Por isso, a entidade avalia que as medidas podem afetar tanto empresas brasileiras quanto indústrias norte-americanas dependentes desses produtos.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a substituição de produtos industrializados tende a ser mais complexa do que a troca de fornecedores de commodities, devido às especificações técnicas exigidas em cada mercado.

“Repor produtos manufaturados sempre é muito mais complexo do que repor commodities no mercado internacional, porque tem especificações de cada país, de cada região e de cada demanda. Isso nos preocupa bastante e, por isso, estamos colocando todos os esforços possíveis para termos o melhor resultado”, declarou.

A expectativa da indústria brasileira é que as propostas sejam revertidas ou que a lista de produtos isentos seja ampliada, reduzindo o número de mercadorias sujeitas às novas tarifas.

Entre os 13 principais produtos que poderão enfrentar a cobrança acumulada de até 37,5%, o Brasil é o maior fornecedor do mercado norte-americano em 11 deles.

A lista inclui ferro-gusa não ligado, açúcar bruto de cana, álcool etílico, tabaco processado, compensado de pinus, granito, hidróxido de alumínio, sebo não comestível e produtos de madeira.

No caso do compensado de pinus, o Brasil responde por 99,6% das importações norte-americanas. A participação brasileira também chega a 73,3% no ferro-gusa não ligado, 72,3% no álcool etílico não desnaturado e 72% no tabaco curado ou processado.

Para a CNI, esses números mostram que a elevação tarifária também pode gerar consequências para empresas e consumidores dos Estados Unidos.

“O Brasil é deficitário na balança comercial com os Estados Unidos. Nós temos uma relação de complementaridade importante para ambos os lados. Em 11 dos 13 maiores produtos de exportação que serão afetados, o Brasil é o principal fornecedor para os Estados Unidos. Ou seja, a medida também afeta os interesses norte-americanos”, afirmou Alban.

O embaixador Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública desta terça-feira (7), em Washington, sobre a proposta de tarifa adicional de 25%. Dos 80 participantes inscritos, 66 devem se posicionar contra a medida.

A investigação baseada na Seção 301 foi aberta em julho de 2025. A representação comercial dos Estados Unidos apontou práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento como possíveis restrições ao comércio norte-americano.

A proposta prevê exceções para 1.698 códigos tarifários, incluindo café, suco de laranja e carne.

Outra investigação, relacionada ao combate ao trabalho forçado, abrange cerca de 90 países. Nesse processo, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários.

Ricardo Alban defendeu que as negociações sejam conduzidas com argumentos técnicos e sem politização.

“Queremos que o governo brasileiro faça sua parte de forma competente e técnica, sem envolver aspectos políticos, para que possamos manter uma relação comercial normal, estável e crescente com os Estados Unidos”, declarou.

A expectativa é que a decisão final seja anunciada até 15 de julho. Mesmo que as medidas sejam aprovadas, a CNI informou que continuará atuando junto aos governos brasileiro e norte-americano para tentar revisar as tarifas e ampliar a lista de produtos isentos.

Fonte: Br61, com informações da CNI

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